Dia desses, em um de seus momentos de frustrações, Laura bate em meu braço. Conto até dez, respiro fundo e retribuo com carinho, tentando acalmá-la, com a voz doce a que ela está habituada. Ainda frustrada, me bate novamente. Reajo com um sonoro: "Não pode! Ai, ai, ai". O tom de voz mais áspero e o rosto com expressão mais fechada gera uma reação um tanto inusitada. Laura, com um olhar questionador, fala várias vezes: "Mãe?" Como que não identificando aquela diante dela, sua voz, sua expressão. Eu, com o coração já em pedaços respondo prontamente, com voz já normalizada e um sorriso no rosto; "A mamãe está aqui, Tutu". E ela reage com um sorriso nos lábios e um doce abraço. Olha pra mim e diz com o olhar: "Essa, sim é a mamãe!"
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